Pesquisas realizadas

Nossas atividades e experiências de investigação têm uma trajetória de duas décadas, com vinculação ao observatório de Violências nas Escolas PUCPR e à Cátedra Unesco Juventude, Educação e Sociedade. Os estudos do grupo têm como foco os direitos humanos, esboçam possibilidades de prevenção e intervenção nos fenômenos das violências no espaço escolar, mediante efetivação de políticas e práticas orientadas nos direitos humanos.  As pesquisas têm problematizado questões da garantia de direitos, das práticas curriculares inclusivas em diálogo com a diversidade, da avaliação emancipatória, da educação em direitos humanos, do direito à educação, da formação de professores. E, mais recentemente, temos incluído nos estudos aspectos do direito à educação e do direito à saúde da infância em contextos de pobreza infantil, para contribuir com a formação de profissionais da educação e da saúde que atuam na garantia de direitos da infância.

   

As investigações desenvolvidas enfatizam as violências institucionais da e na escola, advindas, sobretudo, do campo do currículo e da avaliação educacional. Nas pesquisas, as violências nas escolas são problematizadas, trazendo para a discussão a triangulação entre dados empíricos, traços das políticas educacionais e argumentação sistematizada por autores que estudam a temática. Nas políticas educacionais das últimas décadas   observam-se contradições que as atravessam e produzem tensões, incidindo na garantia ou violação de direitos nas escolas. A evidência dessas contradições é perceptível nas diretrizes políticas de currículo e de avaliação, enquanto as primeiras, do currículo, adotam o princípio da diversidade, da garantia de direitos, as segundas, da avaliação, estão marcadas pelos traços da meritocracia, da padronização. Os traços dessas contradições ecoam nas manifestações dos sujeitos ouvidos nas pesquisas realizadas. Assim, a educação em direitos humanos que promove o diálogo com grupos infantis e juvenis se constitui forte possibilidade para ressignificar a escola como espaço de garantia de direitos e justiça, mediante convivência com a diversidade e na diversidade nas práticas curriculares, na perspectiva da interculturalidade crítica.  

Projetos desenvolvidos produções vinculadas

1. PROJETO - O DIAGNÓSTICO DO PERFIL DO ADOLESCENTE EM CONFLITO COM A LEI. (2005-2006)


O projeto teve o intuito de conhecer o Perfil do Adolescente em Conflito com Lei. No estudo, a fonte de dados foram as fichas das oitivas informais com os registros dos atos de violência perpetrados por adolescentes em conflito com a lei, no município de Curitiba, encaminhados pelo Ministério Público e Poder Judiciário da Vara de Adolescentes Infratores de Curitiba ao Grupo de pesquisa sob a coordenação da Professora Ana Maria Eyng. A pesquisa realizada permitiu estabelecer um diagnóstico das ocorrências no período de março 2005 a novembro de 2006, relativos a 3.881 adolescentes ouvidos. Os registros refletem os casos de autoria conhecida e que são levados ao conhecimento formal das autoridades. Com base neste perfil foi possível avançar a discussão na proposição de caminhos que possam contribuir para a redução da exclusão social e das violências nas escolas, educando para a liberdade e o respeito no convívio social e familiar.




2. PROJETO - REPRESENTAÇÕES DE PROFESSORES E ALUNOS DA ESCOLA PÚBLICA SOBRE O FENÔMENO DAS VIOLÊNCIAS NAS ESCOLAS (2006-2007)


O propósito do estudo foi identificar os elementos constitutivos da representação social dos professores e alunos sobre as violências nas escolas. O problema de pesquisa foi: quais as implicações das representações de professores e alunos da escola pública sobre o fenômeno das violências nas escolas nas ações que praticam no espaço escolar? A investigação da temática se desenvolveu no segundo semestre do ano letivo de 2006 e no primeiro semestre de 2007 em sete escolas públicas estaduais do estado do Paraná que atendem alunos do 2º segmento do ensino fundamental e ensino médio. A faixa etária dos alunos está entre: Ensino Fundamental: 11 a 14 anos, e ensino médio: 15 a 17 anos. No conjunto das escolas investigadas são atendidos em torno de 9.480 alunos no ensino fundamental e no ensino médio, e conta com 264 professores. Desta população foram investigadas as representações de 728 alunos e de 57 professores sobre: escola, aluno, professor, adolescente, violência. O estudo sobre as violências nas escolas contribui para uma maior compreensão do fenômeno de modo a subsidiar os cursos de formação de professores. Pois, a compreensão sobre o tema permite esboçar e concretizar projetos de formação inicial e continuada, tendo em vista o enfrentamento das violências nas escolas. A investigação do objeto de estudo, vinculado ao âmbito escolar, evidenciou um conjunto de pensamentos e sentimentos contraditórios que se fazem presentes nas representações que transitam no espaço escolar, sobre o fenômeno das violências.




3. PROJETO - MEDIAÇÃO PSICOPEDAGOGICA E SOCIAL NO ESPAÇO ESCOLAR (2008-2009)


O projeto teve como objetivo geral, avaliar o processo de planejamento, capacitação e implantação de equipes multidisciplinares de mediação no espaço escolar. A implantação de tais equipes, propostas no projeto está em conformidade com o estabelece a Lei Estadual n.º 15.075/2006. Na composição das equipes está prevista a participação de profissionais da área de pedagogia, psicologia, serviço social e direito. A coleta de dados para subsidiar a implantação das equipes de mediação foi realizada em uma escola pública que atende à segunda etapa do ensino fundamental (5ª a 8ª séries) e o ensino médio com dois mil e cinco alunos matriculados no ano letivo de 2008, distribuídos nos três turnos (manhã, tarde e noite) e contando com 68 professores e 37 servidores do corpo técnico-administrativo. A investigação permitiu a escuta de 44 professores, 781 estudantes, 317 pais, mães ou responsáveis, e 12 profissionais da equipe técnica-administrativa, mediante entrevistas estruturadas.




4. PROJETO- EDUCAÇÃO BÁSICA DE QUALIDADE PARA TODOS: POLÍTICAS E PRÁTICAS NO CONTEXTO DAS ESCOLAS PÚBLICAS ( 2009-2010)


O projeto de pesquisa teve como foco o objetivo de desenvolvimento do milênio da Educação básica de qualidade para todos e o decreto nº. 6.094, de 24 de abril de 2007 que estabelece o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação. A investigação visou a analisar as potencialidades e fragilidades das políticas sociais como fator de redução das desigualdades sociais, para a maior inclusão social e garantia dos direitos da Criança e do Adolescente na efetivação da educação básica de qualidade para todos no contexto das escolas públicas. A pesquisa foi realizada com: 583 estudantes, 21 gestores, 376 pais, 52 funcionários, 44 professores de sete escolas públicas municipais e duas escolas públicas da rede estadual situadas em Curitiba, essas escolas foram elencadas para pesquisa em função de sua localização num bairro de alta vulnerabilidade.




5. EDUCAÇÃO BÁSICA DE QUALIDADE SOCIAL PARA TODOS: POLÍTICAS E PRÁTICAS NO CONTEXTO DAS ESCOLAS PÚBLICAS (2010-2012)


Os resultados da investigação evidenciam contradições nas percepções dos sujeitos sobre direitos e convivência no espaço escolar. A investigação foi realizada no período de 2010 a 2012, abrangendo 14 escolas públicas de sete cidades do Estado do Paraná, no Sul do Brasil (Araucária, Almirante Tamandaré, Campo Largo, Colombo, Curitiba, Pinhais e São José dos Pinhais), sendo 7 escolas das respectivas redes municipais de ensino e 7 escolas da rede estadual de ensino. As escolas selecionadas se situavam em bairros caracterizados pela grande vulnerabilidade social, populosos, pobres, com precária infraestrutura e localizados na periferia das cidades. Na coleta de dados, foram ouvidos, mediante entrevistas estruturadas, 489 estudantes (crianças e adolescentes), 51 professores, 24 gestores (diretores e pedagogos), 47 funcionários técnico-administrativos das escolas e 148 pais de alunos.




6. POLÍTICAS PÚBLICAS, DIREITOS HUMANOS, JUSTIÇA E VIOLÊNCIAS NAS ESCOLAS (2013-2016).


A coleta das percepções de estudantes sobre direitos, justiça e convivência foi realizada mediante aplicação da Técnica Délphi, sendo a sistematização e análise dos dados coletados na primeira fase que deram origem aos roteiros da segunda fase. A coleta das percepções abrangeu jovens estudantes da educação básica e da Educação Superior, sendo a amostra da Educação Básica constituída por 420 estudantes, na primeira fase e 443 estudantes, na segunda fase. Nas duas fases foram ouvidos estudantes de segundos e terceiros anos do ensino médio de 12 escolas públicas de educação básica. E, na educação superior foram ouvidos 607 estudantes na primeira fase e 413 na segunda, abrangendo 14 cursos universitários.




7. PROJETO – GARANTIA DE DIREITOS NO COTIDIANO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: CONTRIBUIÇÕES DE PROGRAMAS DESENVOLVIDOS NA ÓRBITA ESTATAL E DA SOCIEDADE CIVIL NO ÂMBITO INTERNACIONAL (2016-2018)


O estudo desenvolvido no âmbito do acordo de cooperação entre o Instituto Interamericano da Criança e do Adolescente (IIN), órgão especializado da Organização dos Estados Americanos (OEA) em matéria de infância e adolescência, a Fundação Marista de Solidariedade Internacional (FMSI), a Associação Paranaense de Cultura (APC) e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). A investigação desenvolvida nas três regiões das Américas abrangeu o estudo de seis programas desenvolvidos em quatro países. Seu propósito central: analisar as contribuições de programas desenvolvidos na órbita estatal e da sociedade civil em diferentes países americanos para a garantia de direitos das populações infantojuvenis, atuando na prevenção e erradicação das violências nos seus espaços cotidianos. Os dados foram obtidos via escuta individual de 301 participantes distribuídos em três grupos de sujeitos: 131 crianças e adolescentes (10-18 anos); 94 mães, pais, avós, e representantes legais que denominamos familiares e 76 gestores, educadores, profissionais operadores dos programas que denominamos equipe.